A preocupação é antiga, mas o alerta chega num momento onde foram detectados produtores alimentando o gado com a ‘cama de frango’, o que é proibido. A cama de frango é constituída basicamente de restos de ração, fezes, urina, penas, palha de arroz e sabugo de milho e cana.
Desde o aparecimento da doença no Reino Unido, em 1986, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), determinou medidas sanitárias para evitar a sua introdução e propagação no país. O Instituto Mato-grossense de Defesa Agropecuária (Indea/MT) responsável pela fiscalização irá visitar até o final deste ano 536 propriedades, em Mato Grosso, para diagnosticar se a proteína animal está sendo utilizada na alimentação do gado, sendo que em 400 fazendas já visitadas, foram encontradas 350 cabeças de gado, que receberam a alimentação inadequada e que deverão ser sacrificadas num prazo de 30 dais.
O trabalho de fiscalização é de rotina e começou a ser realizado pelo Indea/MT em julho desse ano, principalmente nos municípios produtores de aviários, onde a oferta da ‘cama de frango’ é mais fácil. A coordenadora do departamento de Controle das Doenças dos Animais do Indea/MT, Daniella Soares de Almeida Bueno, explica que os fiscais estão colhendo amostras da alimentação de concentrados dos animais e fazendo um teste simples onde o diagnóstico sai na hora. “Nos casos suspeitos são levadas as amostras para um laboratório credenciado, onde o produtor também fica com parte desse material, para possível solicitação de novas análises”, disse a coordenadora. Ela avisa que as fiscalizações irão continuar em 2012.
DIMENSÃO - Mato Grosso possuiu o maior rebanho bovino do Brasil com mais de 29 milhões de cabeças e está livre da febre aftosa há mais de 15 anos. Um status garantido através de um trabalho intenso com a vacinação de seu rebanho. Só na etapa de vacinação do mês de novembro, onde todo rebanho foi vacinado, o pecuarista mato-grossense investiu mais de R$ 44 milhões com a compra das 29 milhões de doses. “O produtor tem de ter mais essa responsabilidade e cuidar da alimentação de seu plantel, pois não podemos correr o mínimo risco que seja de perder a confiança do mercado já conquistado”, pondera Vacari.