O problema é que na criação extensiva essa condição de temperatura ideal no verão é muito difícil. Os bovinos são criados a pasto no Estado, não confinados. O conselho então é evitar a inseminação nesta época do ano. Cabistani explica que as raças sintéticas conseguem suportar melhor o calor, porque a cruza com sangue zebuíno, especialmente o Nelore, garante pelo mais liso, maior superfície, mais glândulas sudoríparas, características que ajudam a dissipar o calor.
O pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Joal Brazalle Leal, observa que os bovinos aguentam trocas bruscas de temperatura - de 40°C ao dia para 20°C à noite. Mas diz que o calor constante baixa o metabolismo dos animais que, por isso, procuram a sombra. Ele diz que é possível ver claramente o comportamento de Hereford e Angus mudar com o calor. Os animais ficam mais ofegantes, buscam sombra ou açudes, enquanto os sintéticos seguem pastando. O calor ainda pode provocar prejuízos à qualidade do sêmen. Todo cuidado é pouco com as fêmeas também. O diretor da Farsul, Carlos Simm, destaca que a vaca, que está gestando ou em período de monta, tem que estar fisicamente preparada para passar pelo processo de parição. Isso é necessário para que a fêmea suporte a baixa na oferta de alimento no inverno.
Efeitos
Quando a incidência externa e a produção interna de calor são maiores que a capacidade do animal de eliminá-lo há:
- Aumento de consumo de água;
- Busca da sombra (letargia);
- Sudoração aumentada;
- Taquicardia e taquipneia (respiração rápida e ofegante);
- Aumento da temperatura retal;
Isso provoca perda de energia, diminuindo assim a capacidade produtiva, seja carniceira ou leiteira. A adaptabilidade é a capacidade que o animal tem de expressar a sua funcionalidade.